Na nuvem

Na madrugada, quando dormimos, os deuses passam horas exaustivas em programas avançadíssimos de edição. Editam nossa vida, recortam, montam, pra gente não lembrar de tudo. Jamais. Escolhem as memórias que vamos dar conta de guardar e as que devem ser deletadas. Perto de amanhecer finalizam e salvam tudo na nuvem, obviamente.

Quem não dorme acorda com a memória danificada. E acúmulo de arquivos. Mas essa parte a gente já sabia.

Fêre Rocha

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Magnética

imagem: divulgação

ao final da ressonância
qual não foi minha surpresa
ao pedido em refazer as
imagens tão borradas
de palavras repetidas
onde lia-se: você, você, você

.Fêre.

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The Doors e pernilongos

Desde aquele tempo os pernilongos estão mais fortes, você notou como resistem ao veneno? Fato também é que de lá pra cá não posso mais assistir Pontes de Madison, nem um trecho, nem pensar. Você deve imaginar o estrago. Tampouco consigo ouvir aquele disco do Doors sem me arranhar as ideias. Você ainda ouve? Talvez preferisse esse zunido renitente dos pernilongos no ouvido que lembrar tua voz cantando baixo aquela parte “I know your deepest secret fear”. Eu sei, me sobram exageros como sobram solos de teclado naquele disco. Fosse talvez mais fácil se Meryl Streep atuasse mal e nos liberasse daquelas sensações a cada cena. Se ela atuasse porcamente como fez nosso destino. Mas não há sentido em certas histórias ou em músicas de nove minutos, como também não há nenhum na criação dos pernilongos.

Fêre

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