Conto Surrealista – Capítulo III (final)

Moça na Janela - Salvador Dalí

… Os simpáticos habitantes experimentavam um misto de contemplação e confusão. Nada mais era como antes e até quando duraria ninguém sabia. Um sonho vivido e degustado em tempo real, era o que parecia aos perplexos mas animados cidadãos  de Zionteró. Não havia muito o que fazer a não ser aceitar e desfrutar.

Petzilou já havia feito todas as perguntas a todas as pessoas possíveis. Não havia Prefeito, padre, professor, jornalista, filósofo, ator, sábio ou diretor que pudesse esclarescer algo. Havia  um princípio de adaptaçãona segunda semana. Mas era tudo novo, belo, vivo e incomum demais para se habituar. O que se pode notar de positivo na cidade foi o aumento da produtividade em todos os setores. Talvez pela influência da música agora espalhada por Zionteró. Ou o fato de o som poder ser visto em formas múltiplas.

Possivelmente as águas magnificamente coloridas, as fotos projetadas no céu em dias de chuva e trovoadas, plantas com rostos e expressões ou ainda arco-íris facilmente comestíveis. Isso tudo certamente mudaria o dia a dia de qualquer um. E na tentativa de viver o estranho novo, as pessoas sentiam orgulho ao mostrar aos amigos, durante os trovões, seus melhores momentos de vida relatados no céu. Aquilo era então um dos momentos mais esperados em Zionteró. Ainda mais quando se ouvia aquelas sintonias de formas coloridas a cada chuva.

Nunca mais se ouviu falar em mau humor ou gente deprimida em dias chuvosos. E Petzilou seguia na rotina comum. Saiu para trabalhar, avistou algumas formas de sons do trânsito, árvores de rostos pensativos. Logo após uma garoa bossa-nova, pegou um pedacinho do arco-íris pra comer no caminho. Subiu na montanha prateada, chegou em casa, olhou para o seu quarto e ouviu todas as formas da mobília. Foi assim que Petzilou adormeceu na pequena e não mais pacata  Zionteró.

FIM

(Fernanda Rocha. Todos os direitos reservados ao autor)

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4 respostas para Conto Surrealista – Capítulo III (final)

  1. Naty disse:

    O serio mesmo adorei! Faça mais desses! Muito bom! Parabens!

  2. andy disse:

    Que bacana Fereh, uma pequena novela surrealista, vejo que tb está indo pro caminho da prosa! Muito sinestésico!! Aliás, cheio de figuras de linguagem! Adoro! E o legal é que explora a arte literária numa linguagem bem moderna e dinâmica…puxa, dá pra usar com jovens….crianças… (ihh, será que lá vai a “prefessora” pidunchar??) hehehe.

    beijos beijos e continue!

  3. Graziela disse:

    Adorei o final!!!
    Acho que sempre esperamos por algo inesperado pra mudar nossas vidas, né?? Viver num sonho, numa fantasia!!
    Beijo!!!

  4. Pingback: Conto Surrealista – Capítulo II | Blog da Fereh

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