Sem Chinelos

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Sem chinelos

Pés no chão, lamaçal

Sol na cara, marginal

Tenta ler, pega o jornal

Faz de conta, faz que entende

Mídia sensacional

ista.

Mas tem de ver

Vaga aparecer

Trabalhar, parecer

Ignorar, pertencer.

Noite fria

Calçada vazia

De muita cachaça

E barriga vazia

Não vê o carro

Que do escuro vinha

Derruba o jornal

E toda a ladainha.

E de pés sujos

Com rosto igual

Queria ainda

Ser imortal.

Mas ali percebe

O já tão banal

Que cabia a ele,

O duro papel

De excremento social.

E que não atrapalhe

No sinal

E o povo aliviado

Pensa meio disfarçado:

Ali na rua

A carne crua

Sob a lua

Ainda bem

Não é minha

É tua.

Fêre Rocha

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5 respostas para Sem Chinelos

  1. Inês mamis disse:

    Que poema lindo Fereh!Senti uma melancolia quando li, pensando na miséria humana que está sempre alí, bem ao nosso lado e sempre pensamos que é problema alheio.Lindo e comovente!

  2. Maria disse:

    Lindo Poema, Feh vc sempre arrasa… e me emociona a cada poema… FELIZ NATAL E 2013 MARAVILHOSO… Adoro demais vc. Bjs

  3. Rafa Castagna disse:

    Belíssimo! Muito inteligente!
    Aproveitando, Feliz 2013! Que seja um ano maravilhoso!
    Beijos!

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