Na Arte dos Restos

Foto: divulgação

Na Arte dos Restos

 

Eu sou aquele que ajunta

A sua xepa

De cigarro ainda acesa.

Assim que você descarta,

Passa e joga a

Ponta de cigarro na calçada,

Na sarjeta.

Sabe, eu ando muito

Por ali, na sarjeta

Nas esquinas.

Perdi faz tempo,

Qualquer sopro de vida.

Qualquer mão amiga.

Eu sou aquele que

Comemora a sua lata

Sua garrafa

Sempre esquecida

Com seis, sete goles dentro.

E eu aprendi a me empanturrar

Com pouco sabe?

E a me embebedar também.

Eu sou aquele que aproveita o resto,

Do resto que você achou

Que acabou.

Mas sorte mesmo

É quando você joga a xepa

E eu, sem precisar me esconder

Por já estar invisível,

Corro e pego ainda acesa

E me satisfaço na frieza

Da arte dos restos,

Que aprendi

Antes de desistir.

Fernanda Rocha

Foto: divulgação

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11 respostas para Na Arte dos Restos

  1. Naiana disse:

    Bom demais, como sempre fe :)

  2. Clélia disse:

    Fê interessante teu poema, enquanto lia ia imaginado o vento, e para minha surpresa não era o vento e sim um irmão nosso menos favorecido, gostei muito , parabéns

  3. Sabrina disse:

    Parabéns amiga! Perfeito!!!

  4. Nilton Rocha disse:

    Achei bem legal, não sei porque, mas comecei a ler e quanto vi o estava recitando no ritmo desta ultima musica do Roberto Carlos,
    o final lembra os irmaos Sabatini Rocha no ponto de onibusem frente a Padaria Natal, que era do vo Romeu

  5. Graziella disse:

    Adorei a forma delicada como você deu voz pra esses membros invisíveis, como vc mesma disse, da sociedade. Two thumbs up!

  6. Vânia Elisabeth Carbonera disse:

    Li e reli seus escritos. Não me canso de fazê-lo, quando, como agora, em frente a sua página, o momento me oferece esta oportunidade, este nobre presente.

  7. Natalia disse:

    Nossa que triste,,,fiquei emocionada…soube relatar perfeitamente os invisíveis q vc mesma falou…parabens bada!

  8. MiroPenna disse:

    Sensacional ! Emocionante!

  9. Inês mamis disse:

    Nooossa…li esse poema e fiquei emocionada; juro; é tão triste…eles estão juntos de nós, vivendo dos nossos restos, e são nossos irmãos. Todos deveriam desfrutar de igualdade! Lindo poema menina, acho que é um dos mais lindos que já li !

    • Fereh disse:

      Mamma linda. Obrigada.
      Eu ainda me emociono, mesmo tendo eu mesma escrito.
      Eu não vou nunca me acostumar com os “mistérios”das missões de cada um.

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