Dos ombros

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Dos ombros

De atravessar o chão
mergulho sem aviso
sabia de cor as linhas
da calçada e
curvatura dos tombos
os ombros de desdém
das gentes olhando a
contratura do espaço
que abrigaria corações
(ou deveria)

de lamber o meio-fio
decepções
em desaviso
a cada abraço
frio e liso
solto, esquivo
foi largando
a cada esquina
sacolas de expectativas
meses tantos idos
ainda encarava
linhas de calçada
o meio-fio lambia
ainda vinha abraço frio
(as sacolas menores)
o liso, o liso e
os ombros das gentes
(sacolas findam)

esfrega as mãos, de poeira
ali então
nariz no meio do meio-fio
se encanta por passarinha
que sem ombros
não desdenha
e com penas
só abraça

nunca liso, nem frio.

Fêre Rocha

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