Café passado

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A xícara amarela e vermelha. Ela sempre deixava um final de café. Na altura de um dedo, ficava na xícara. Depois jogava fora. Era puro que trazia à boca quase queimando os lábios, porque açúcar não lhe faltava, já tinha em si todo o suficiente.

Lambia dois de seus dedos que tinham sempre os respingos da bebida, pra depois largar a xícara a culpa o peso a colherinha fazendo um barulho que era bom. Um ritual só dela, sem ruídos, sem desvios.

Era isso quase todos os dias. Mas no domingo ainda cedo derrubou o café antes da boca beijar a louça. Pudera também, no galho da árvore ao lado da janela da cozinha tinham dois gatos pendurados mastigando um passarinho. E a vizinha que entrou sem avisar e resolveu beijar-lhe o pescoço. E a vizinha ela beijou.

Fêre Rocha

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