Caneta e fármaco

 

Escrevendo até sarar a beirada do buraco, deles todos, o lado e o fundo. Escrevendo lambidas nas feridas. Jogando montes de consoantes e vogais em quartos vazios que ecoam, páginas que escorregam pra baixo da cama. Como fosse a tinta de caneta o fármaco (um consultório todo). A cara do analista, lembro, risquei de lado a outro e desci anotando pelo casaco. Falamos tanto e disso também. Concordamos que falo errado, torto, despejando vogais em chãos indispostos. Calamos. Escrevendo no chão tentei responder perguntas (dele, minhas, das feridas). Nada. Só vi porcelanato.

Da escrita o mercúrio cromo, maleta de antissépticos. Todos nós em eterno refluxo. Escrevo porque rejeito o vômito.

Fêre Rocha

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4 respostas para Caneta e fármaco

  1. Excelente trabalho, Fêre

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